Alagoas Memorável

Segunda-feira (18/07/11) foi lançado na Casa da Palavra, o Projeto Alagoas Memorável – Patrimônio Arquitetônico, que reuniu historiadores e empresários.

A museóloga Carmem Lúcia Dantas, o historiador Douglas Apratto Tenório e o arquiteto José Luiz Mota Menezes escreveram a obra, que reúne uma ampla abordagem acerca da origem, influências e técnicas que permearam a arquitetura do Estado de Alagoas, tendo em vista, principalmente, os municípios de Maceió, Penedo, Piranhas, Porto Calvo e Marechal Deodoro.

Para Douglas Apratto, doutor em história, o material reúne um verdadeiro patrimônio, que necessita de uma valorização dos próprios alagoanos. “É, na verdade, a descrição de todo um contexto histórico, com seus fatos e peculiaridades.

O historiador salientou que as informações contidas, no encarte, não devem ficar restritas às bibliotecas que existem no Estado, uma vez que cada fascículo sai com uma tiragem de 15 mil exemplares. “Podemos dizer que o material nada mais é do que a democratização da cultura e do conhecimento”.

“É extremamente prazeroso produzir um fascículo desse, que visa à preservação do patrimônio histórico de Alagoas”, ressaltou a museóloga e historiadora Carmem Lúcia Dantas.

O Museu do Paço Imperial & Memorial Raimundo Marinho, ambos pertencentes a Fundação Educacional do Baixo São Francisco Dr. Raimundo Marinho, foram muito bem apresentados nesta grande obra alagoana.

Penedo / atmosfera de passado

Cármen Lúcia Dantas – Museóloga

 

Conhecida como a capital do Baixo São Francisco, Penedo é a síntese da importância alcançada pelo comércio e pelo fator social e econômico de uma história que atravessa séculos sem perder o encanto de outrora.

Situada no extremo sul do estado, feito uma ponta de pedra que avança para o rio, a cidade pode ser apreciada de vários ângulos. O melhor deles, sem dúvida, é avistado por aqueles que navegam pelo São Francisco, margeando a formação rochosa que nomeou o lugar, cuja topografia oferecia condições ideais para a defesa dos colonizadores.

Os registros sobre a sua origem dão conta de que em 1636 a antiga feitoria, provavelmente com o nome de Penedo de São Pedro, foi elevada à condição de Vila – a Vila do São Francisco. Décadas depois, no final do mesmo século, passou a ser chamada Penedo do Rio São Francisco, mais tarde, simplesmente Penedo. Desde então, a cidade respira uma atmosfera de passado, onde a arte e a gente do lugar estão impregnadas por um tipo de colonização delineada por caminhos fluviais.

Essa característica fez de seu porto o ponto de convergência da região, onde as embarcações ancoravam. A comunicação era direta com a Bahia e, depois da abertura dos portos às nações aliadas, em 1808, navios de grande calado chegavam à cidade sem a intermediação portuguesa. Com eles vinham as novidades das metrópoles.

O intercâmbio comercial, sobretudo com a Inglaterra, facilitou a vinda de matrizes culturais européias, influindo de forma decisiva no gosto do penedense do século XIX.

Paço / a hospedaria do imperador

 

Sobrado do século XVIII, nele residia a família Lemos, a mesma responsável pela edificação da igreja da Corrente. Em 1859, serviu de hospedaria ao imperador Pedro II, em viagem com destino à Cachoeira de Paulo Afonso. Nessa ocasião, o monarca, apreciando a beleza da paisagem, registrou em seu diário de viagem: “O local é muito bonito e creio que devera estar aqui a capital da Província”. A parti dessa visita, o prédio passou a ser conhecido por Paço Imperial e integrou-se ao patrimônio histórico e artístico nacional como referência da memória cultural brasileira.

Após deixar de ser residência, foi ocupado por repartições públicas e a cada mudança de função o prédio sofria intervenções. Na restauração da década de 1970 voltou à sua feição original, uma vez que no século XIX recebera elementos neoclássicos na fachada e uma placa comemorativa da passagem de dom Pedro II.

Nessa restauração descobriu-se um porão, cujas paredes deixam à mostra a estrutura de pedra da construção e um possível porto para atender particularmente a seus moradores.

Hoje, o sobrado é sede do Museu do Paço Imperial, instituição pertencente à Fundação Educacional Do Baixo São Francisco Dr. Raimundo Marinho, mantenedora também do memorial ao seu patrono. No andar superior está instalado o museu, que expõe peças dos séculos XVIII, XIX e início do XX. A contribuição das famílias penedenses foi fundamental para a formação desse acervo.

Ao recorrer o circuito expositivo o visitante percebe o requinte característico do povo da cidade, o que se confirma por meio das peças de mobiliário, da arte sacra, dos objetos decorativos e dos serviços de jantar trazidos de Limoges e de Sèvres, consideradas as melhores porcelanas européias da época, além das baixelas e floreiras de selo inglês.

O registro da passagem de dom Pedro por Penedo é reiterado pela conservação de inúmeros objetos, a exemplo de porcelanas e cristais com a insígnia do Império, condecorações, pinturas a óleo, gravuras e fotografias da família imperial. O relógio usado no mesmo sobrado, durante a visita, está em exposição no museu, da mesma forma que as peças do barão de Penedo e de outras personalidades do mesmo período.

A formação desse acervo foi direcionada para a recomposição de uma época da sociedade penedense, com ênfase para a importância do próprio sobrado como exemplar da memória histórica da região.

 

Um guardião / da memória

 

O memorial preserva a história de seu patrono e da cidade em um recorte de tempo que compreende as décadas de 60, 70 e 80 do século passado, época em que Penedo, na administração de Raimundo Marinho, alcançou desenvolvimento cultural e econômico e teve seu perfil arquitetônico valorizado.

A parti do acervo pessoal da família Ramalho Marinho, ele foi estruturado de forma a se constituir em um guardião da história de um homem público. A ênfase é dada às atitudes visionárias do patrono, sobretudo com relação ao patrimônio cultural, abrangendo um período preservado da história de Penedo através dos registros fotográfico e documental.