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Ser ou não ser Bibliotecária(o)

12 de março de 2013
Publicado em Artigos | Um comentário

Ser ou não ser Bibliotecária(o)

 

Wilma Nóbrega

 

Sempre quis ser jornalista. Gostava de escrever. Em João Pessoa-PB, conclui o ensino médio e no exato momento de me inscrever para o vestibular, ainda na fila, lendo o manual do candidato, me deparo com o perfil do profissional bibliotecário. Decidido. Vou fazer biblioteconomia. Aprovada, para surpresa de todos, vieram os questionamentos de familiares e amigos. Que profissão é essa? Ninguém conhecia. Mesmo assim, recebi apoio e a cada dia, me certificava de que estava no caminho certo. São exatos 31 anos em plena atividade e orgulhosa da profissão que escolhi. Foram momentos difíceis. Em Alagoas, não havia vagas. Começo minha vida profissional em Aracaju, a convite do meu grande amigo de turma, hoje, Dr. Justino Alves.  Morando em pensionato, aprendi muito jovem a conviver com a saudade e o desafio de aprender. Confesso que foi uma das melhores fases da minha vida. Aprendi que o profissional bibliotecário tem que ser ousado, criativo, inovador e acima de tudo muito curioso. Ao longo desses anos, tive a rica oportunidade de trilhar por todos os tipos de bibliotecas. De ser testada, humilhada por não ser do “sul”. Aos que me humilharam, testaram, só tenho a agradecer o quanto me ensinaram a ser forte, a não desistir. Me espelhei em grandes profissionais: Sonia Glaucia, Silvia Cardeal (BC/UFAL), e Maria Das Graças Targino (PI). Enfim, foram tantos e tantas que passaram e continuam presentes em minha vida a quem homenageio e agradeço imensamente pela grande contribuição que me deram para chegar até aqui. Bibliotecário lê  pensamentos, entende um olhar, advinha palavras, é fofoqueiro. O bibliotecário é terapeuta. Socorre nos TCCs da vida. É calmante, é luz. É político, está sempre entre prefeitos. É a alegria das crianças, adultos e idosos. Tira leite de pedra e faz acontecer. É catador de lixo, vive recortando notícias de jornais, para suprir a falta do livro atualizado. É arquiteto, vive improvisando espaços. Inventa cor, texturas. Não importa se em estantes de aço ou tijolos, importa que o livro seja bem acondicionado e acessado. Bibliotecário de verdade mantém sua biblioteca VIVA, atraente, convidativa, acolhedora. Bibliotecário faz o leitor ir às nuvens e nelas guardar e acessar suas informações. Bibliotecário é internauta de carteirinha, vive bisbilhotando as redes sociais. É sustentável, vive juntando garrafas para construir mobiliários, caixas vazias e retalhos de tecido para criar cenários que despertem o imaginário infantil. Ser bibliotecário é ser louco e apaixonado por leitura. Que minha loucura e paixão, contagiem, então, os meninos e meninas que abraçaram essa profissão.

Comentários

  1. renata disse:

    Wilma, foi muito bom ler o seu depoimento.
    Não estou muito satisfeita com a minha profissão atual.
    Fiz um teste vocacional e uma das opções foi de bibliotecária.
    Pesquisando sobre a profissão fiquei muito entusiasmada e me identifiquei, porém tenho medo de errar novamente.
    Gostaria que você me falasse um pouco sobre as dificuldades e oportunidades no Mercado de trabalho.
    A maioria das vagas está no funcinalismo público? É necessário ser concursado?
    Desde já muito obrigada.

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